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CRIAR UMA, DUAS, TRÊS... MUITAS TORTAS NA CARA
 Enfim, o governo de pseudo-esquerda levou o que merecia após um ano 
de governo - como é bom olhar a foto ao lado e contemplar a torna na cara do ministro que fez de tudo para "flexibilizar" os direitos previdenciários. Do ponto de vista sociológico, considero que o governo Lula foi derrotado no terceiro turno: para governar, capitulou ao FMI e aos anseios de uma burguesia tacanha que não tem nenhum projeto para o país. Para o governo, trata-se, sempre, de agradar a gregos e troianos; impossível: o tal governo de união nacional é, antes de mais nada, uma conciliação resignada de classes. Como conciliar classes sociologicamente antagônicas sem que uma não se submeta à outra?
A rigor, o que o governo Fernando Henrique teve dificuldade em realizar, este consiguiu com um pé nas costas: com a CUT e o movimento estudantil silenciados pelo PT e pelo PCdoB, a caça aos direitos previdenciários, trabalhistas e a ausência de políticas públicas para estratos sociais historicamente marginalizados foram o maior intento do governo àqueles que apostaram na "mudança".
Historicamente, o proletariado brasileiro precisa aprender com este retrocesso: os partidos, instituições genuinamente burguesas, seja qual for a denominação que levam, são, antes de qualquer coisa, instrumentos da (e para) ordem - a conquista emancipatória não decorre do jogo parlamentar, mas de uma mudança qualitativa que vá além da urna eletrônica e das instituições burguesas. A democracia burguesa é o meio mais eficiente de legitimidade do domínio - a culpa sempre cai nos eleitores. Democracia de fato é incompatível com esta pseudo-democracia de direito: enquanto escolhermos alguém que "nos represente", para exercer um governo, jamais seremos representados.
Não há nada de novo nesta tese, já Rousseau, no século XVIII, aprogoava, no Contrato Social, algo diferente do que ele julgava ser o erro do povo inglês; porém, hoje, podemos considerar este erro de modo universal - ele é o nosso erro:"(...) A soberania não pode ser representada pela mesma razão por que não pode ser alienada, consiste essencialmente na vontade geral e a vontade absolutamente não se representa. É ela mesma ou é outra, não há meio-termo. Os deputados do povo não são, nem podem ser seus representantes; não passam de comissários seus, nada podendo concluir definitivamente. É nula toda lei que o povo diretamente não ratificar; em absoluto, não é lei. O povo inglês pensa ser livre e muito se engana, pois só o é durante a eleição dos membros do parlamento; uma vez estes eleitos, ele é escravo, não é nada. Durante os breves momentos de sua liberdade, ou não, que dela faz, mostra que merece perdê-la" (ROUSSEAU, Jean-Jacques. "Do Contrato Social" in Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, pp. 113-114).
Escrito por Andershow às 10h18
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