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E NO OITAVO DIA, O OCIDENTE MATOU SEU DEUS
O apogeu do egoísmo ocidental mais uma vez foi expressado por ele mesmo: em A Paixão de Cristo, filme atualmente em cartaz, notou-se a cólera da imprensa "especializada" que acusou o filme de violento - o progarama Metrópole, da Tv Cultura, chegou a desaconselhar seu público a ir ao cinema! Vejo o filme, e seu efeito no Ocidente, de modo antropológico: afinal, recusamo-nos como assassinos de Jesus Cristo, mas o assassinamos - Pôncio Pilatos lavou suas mãos, nós sujamos a nossa. Agora, sintimo-nos mal com nosso próprio ser, um ser que legou a corrupção de matar seu próprio Deus, de violentá-lo até a morte. Que o Império não recebia bem a conduta de Jesus Cristo os historiadores cansaram-se em demonstrar, mas que os subjugados pelo Império preferiram Barrabás a ele também não há como negar.
A história do Ocidente é tão suja quanto qualquer um de nós. O filme alcançou o que pode ter sido seu objetivo: narrar nossa história contra nós mesmos; afinal, Mel Gibson parece ter feito muito esforço para escrever contra seu público - as câmeras aproximam as cenas em que Jesus Cristo mais sofre, enfatizam nossa condescendência, reforçam nossa violência mediante o recurso da câmera-lenta, mostram nosso desejo pela morte do messias concomitantemente à resistência deste ao "mal" e a fé em seu "Pai". Que hipócrita a civilização que louva seus Rambos nas cruzadas contra comunistas e muçulmanos, mas não suporta sua violência capilar e diária, intrínsica, explícita.
O egoísmo do "amai uns aos outros como a ti mesmo" pode ser lido, nos dias de hoje, como não enxergais uns aos outros como a ti mesmo.
Escrito por Andershow às 21h52
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