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BRASIL, Homem, Filósofo, sociólogo, deus grego,Ídolo: Seu Madruga



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TOLERÂNCIA

    Suponhamos que um professor faz uma pergunta para a sala: a mesma pergunta é respondida de maneira diferente por cinco alunos, isto é, o problema a ser resolvido tem cinco possibilidades de ser resolvidos e não sabemos, até que o professor diga a resposta, qual é o caminho correto. Justamente por não sabermos como as coisas são, precisamos respeitar a posição assumida pelas outras pessoas, já que não sabemos se somos nós ou se são elas que dizem a verdade.

    É este o desejo do filósofo francês Voltaire (1694-1778) quando escreveu que “somos todos cheios de fraquezas e de erros; perdoemo-nos reciprocamente as nossas tolices”[1]. A diversidade de opiniões mostra nossa fraqueza teórica, nossa incapacidade científica para explicar as coisas e, dessa forma, convivemos com diferentes pensamentos sobre os mais diversos assuntos. A humanidade não chegou a um acordo, por exemplo, sobre que Deus cultuar ou, mesmo, se Ele de fato existe: existem católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, budistas, hindus, ateus... Quem está certo? Como saber?

      Só há um meio para convivermos juntos se pensamos de modo tão diferente: a tolerância. Tolerar é não proibir, não condenar e não impedir algo que não concordamos: podemos torcer, por exemplo, para o time de futebol do Santo André sem matar os torcedores do São Caetano; podemos gostar de rock sem recriminar os que gostam de pagode; podemos votar no Partido A sem brigar com os partidários do Partido B. Não condenar, não proibir e não impedir a existência e a ação de pessoas que pensam de modo diferente do nosso é a superação do egoísmo, a superação de nosso próprio interesse, é a ação contra nossas paixões e a favor de outrem – é neste ponto que a tolerância assemelha-se com a coragem: ambas são virtudes de renúncia ao nosso próprio eu.

    Mas há o outro lado da moeda: se não tolerar a diferença não é virtude, tolerar tudo também não o é. Não consideramos virtuoso um policial que não impede um criminoso de agir, assim como não é virtuoso um professor preguiçoso que nunca apresente o modo certo de resolver um problema e tolere todos os erros de seus alunos, nunca ensinando-os como resolver a uma questão de modo verdadeiro. Nestes casos, o policial, o criminoso e o professor que não superaram seus próprios interesses. Tolerância é virtude por superação de nosso egoísmo: um ladrão é egoísta, um professor e um policial que não trabalham também; o professor deve mostrar ao seu aluno o modo correto de resolução do problema, o policial enfrentar o criminoso e este, por sua vez, conquistar o que quer respeitando o outro, não o agredindo. Não é possível tolerar tudo, nem não tolerar nada.



[1] VOLTAIRE. “Tolerância” in Dicionário filosófico (Os Pensadores). Tradução de Marilena de Souza Chauí Berlinck, São Paulo: Abril Cultural, 1° edição, 1973, p. 296.



 Escrito por Andershow às 12h43 [ ] [ envie esta mensagem ]